Florir, 2017

Florir, 2017

Nosso peito é um campo estranho dentro de nós. O que podemos fazer é cuidar, regar, deixar o terreno fértil para que, quando um habitante decidir que é ali o lar perfeito, nós possamos segurar firme e deixar que o terreno cresça.
É exatamente assim que me sinto. Um peito para um morador. Só que diferente dos antigos moradores, este não só resolver crescer, mas resolveu me ajudar a deixar o terreno mais forte antes. Trouxe consigo uma força inexplicável para lidar com os problemas dele e também com os meus. Caminhou comigo quando minhas pernas bambearam e me ajudou, como ninguém, a tratar as dores e as  chagas que habitavam o meu terreno.

Ele trouxe suas palavras, seu silêncio, os seus olhos firmes, seu tempo, suas mãos para amparar. Ele acredita que eu fui boa por oferecer o terreno para que ele plantasse, mas na verdade, ele me deu o mais sereno controle para aguentar outras tempestades do meu peito.

Ele sonha comigo. Meus sonhos. Os sonhos dele. Os nossos sonhos. Ele chora minhas lágrimas e me abraça quando, por um segundo, eu penso que tudo vai sumir. Mas não some. Não some porque não sou mais só. Não some graças ao peito que está habitado, forte, firme e com flores nunca vistas. Eu nunca acreditei em sorte, até encontrar aquele moço perdido procurando um lar. E eu acredito que hoje tenho sorte. Ele é exatamente tudo o que eu precisava para poder florir.


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